domingo, 18 de julho de 2010

Outros gatilhos que desencadeiam a Enxaqueca

Postada da Revista Veja - JAN/2010



Além de agravar uma crise, a luz também pode funcionar como um gatilho para o seu desencadeamento. Outros conhecidos gatilhos da enxaqueca são o jejum prolongado, a ingestão de chocolate e bebidas alcoólicas, as variações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual, a privação ou o excesso de sono e a falta de exercícios físicos. "Das bebidas alcoólicas, o vinho é a mais prejudicial para quem tem a doença", diz o neurologista Mario Peres, do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Esses fatores deflagram as crises de dor de cabeça, náusea e irritabilidade, ao atuar em neurônios que, sobretudo por razões genéticas, já são hipersensíveis no caso dos doentes de enxaqueca. Questões emocionais como medo, preocupação excessiva, autocobrança exagerada, stress e depressão podem causar, ainda, as sessões de martírio. Um estudo do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo mostrou que, entre pacientes com enxaqueca crônica, 76% têm transtornos de ansiedade e 50% apresentam distúrbios do humor. Apesar de afetar tanta gente – 15% da população adulta brasileira e 11% dos adultos no mundo –, a doença ainda é relativamente desconhecida pela população. Boa parte dos doentes confunde os sintomas do mal com sinais de sinusite, pressão alta, problemas na visão, doenças do fígado e até dor na coluna cervical. Frequentemente, neurologistas precisam lançar mão de um bom arsenal de argumentos para convencer pacientes de que a enxaqueca é uma doença neurológica, que nada tem a ver com esses outros males.

Até agora, não se descobriu a cura para esse distúrbio. Para preveni-lo e controlá-lo, os médicos recomendam a adoção de um estilo de vida saudável – que inclui alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e horários regulares – e, para alguns, o uso de medicamentos, como antidepressivos e anticonvulsivantes. Foi só com o uso de medicamento que a advogada Sônia Monteiro conseguiu se livrar das dores de cabeça que a atormentaram por três décadas. Há um longo caminho a ser percorrido antes que os cientistas consigam decifrar todos os mecanismos da enxaqueca. A descoberta publicada na revista Nature Neuroscience é mais um passo para que 16 milhões de pessoas – o número de doentes no Brasil – possam um dia vir a se livrar desse suplício.

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